Em direto
A resposta aos danos da depressão Kristin e a evolução do estado do tempo

TikTok sob a bandeira dos EUA. Será que o "cavalo de Troia" da China também funciona para Trump?

TikTok sob a bandeira dos EUA. Será que o "cavalo de Troia" da China também funciona para Trump?

Na China, chama-se Douyin, o equivalente nacional do TikTok. Uma plataforma personalizada para utilizadores chineses, e naturalmente controlada pelo Partido Comunista no poder. A sua influência também levanta preocupações na Europa.

Um Olhar Europeu com RTBF /
Patrick T. Fallon / AFP



A empresa-mãe das duas plataformas irmãs, a ByteDance, expandiu o seu império por todo o mundo, desde a aquisição do Musical.ly, para atingir mais de 1,5 mil milhões de utilizadores em todo o mundo, principalmente jovens.

Nos Estados Unidos, com 170 milhões de utilizadores do TikTok, o debate público começa a centrar-se na questão de saber se a plataforma é um instrumento de ingerência do regime chinês. 

"Sabemos que os dados dos utilizadores foram transferidos para a China e utilizados pelo regime chinês", explica a jornalista Océane Herrero. "Houve sanções a nível europeu e a plataforma construiu centros de dados na Europa e nos Estados Unidos para tentar recuperar estes mercados e reconquistar a confiança".
TikTok passa a estar sob controlo dos EUA, primeiras suspeitas de censura política
O outro ponto de preocupação é o algoritmo: será que o TikTok pode impulsionar conteúdos políticos e favorecer um candidato em detrimento de outro? "Uma eleição na Roménia foi cancelada, com base em suspeitas de manipulação através do TikTok", recorda ainda a autora do livro Le système TikTok, Comment la plateforme chinoise modèle nos vies (ed. du Rocher, 2023).

Depois de uma saga jurídica, o TikTok, ameaçado de proibição pelos Estados Unidos, acordou no final de janeiro de 2026 que um consórcio de investidores americanos iria gerir as suas operações no país. 

Océane Herrero tem acompanhado todo o caso: "Neste caso, assistimos a um desenvolvimento por parte de Donald Trump, que está a sair vitorioso do caso. Em 2020, foi o primeiro a querer banir a plataforma. Agora, tem sido um grande defensor da outra solução".

E por uma boa razão: à frente deste consórcio está Oracle, um gigante tecnológico co-fundado por Lary Ellison, um amigo muito próximo e grande doador do presidente dos EUA

"Isto mostra a importância de quem controla estas plataformas no cenário político, porque este consórcio, supostamente, tem mão nas regras de moderação da plataforma e na política de segurança", aponta a jornalista do Politico.

Suspeitas de censura na plataforma já foram relatadas por utilizadores do outro lado do Atlântico, nomeadamente sobre vídeos de abusos do ICE, ou sobre o caso Epstein, que há meses ensombra o mandato de Donald Trump

Alguns utilizadores afirmaram que estes temas foram ocultados da plataforma. Para Océane Herrero, é preciso estar atento: "O consórcio disse que se tratava de um problema técnico, ligado aos centros de dados, no momento da transição dos chineses para eles. Neste momento, é muito difícil distinguir entre o que dizem e o que serão as regras de moderação no futuro. De qualquer forma, isto mostra que os utilizadores americanos estão muito atentos e sensíveis a esta questão do controlo das plataformas".
A dependência tecnológica da Europa em relação às redes sociais americanas
Sob controlo chinês ou americano, o TikTok continua a suscitar suspeitas na Europa. Desde março de 2023, funcionários públicos da União Europeia e de vários Estados-membros, incluindo a Bélgica, estão proibidos de descarregar o TikTok nos seus telefones. Com 200 milhões de utilizadores em todo o continente, "é claramente uma plataforma que está sujeita a um grande escrutínio, como o X de Elon Musk".

Com a vontade reiterada da administração americana de interferir na Europa, a dependência das ferramentas digitais norte-americanas levanta cada vez mais questões. 

Embora existam de facto plataformas europeias alternativas para substituir as redes sociais dos bilionários americanos, deixar os hábitos para trás também exige um esforço por parte dos utilizadores, implica "começar do zero, numa plataforma onde os seus entes queridos, as pessoas que seguem não estão necessariamente", observa Océane Herrero.

Que resposta forte poderia a Europa dar aos Estados Unidos? O acordo dos norte-americanos com o TikTok abriu certamente um precedente, mas para torcer o braço das redes sociais desta forma, segundo a jornalista, são necessários investidores "com o apoio financeiro e as competências técnicas. 

É o caso da Oracle, e é necessário um esforço maior na Europa". Tanto mais que a questão da regulamentação das plataformas é "um assunto extremamente complicado nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Ameaçam regularmente com retaliações". A qual dos alogoritmos vai a Europa demorar mais tempo a prestar atenção, ao chinês ou ao americano?

Jub / 1 fevereiro 2026 08:00 GMT

Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa 
Tópicos
PUB